
A redução de estômago, nome popular para a cirurgia bariátrica, é uma alternativa terapêutica para alguns casos graves de obesidade, a obesidade grau III, que, segundo a OMS, acontece quando o índice de massa corpórea está acima de 40kg/m².
A obesidade é considerada uma doença crônica de origem multifatorial, resultante de fatores como a ingestão excessiva de calorias, o sedentarismo, condições genéticas e desequilíbrio hormonal.
Como uma boa parte dos pacientes não consegue os resultados esperados com o acompanhamento nutricional, a prática de atividades físicas e o uso de medicamentos, optar por uma alternativa mais invasiva, porém mais eficaz, pode ser necessário.
A cirurgia, basicamente, é caracterizada pela diminuição do tamanho do órgão, que consequentemente diminui também a sua capacidade de absorção, podendo afetar também a produção do hormônio da saciedade.
De acordo com o arquivo sobre cirurgia bariátrica da Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde, uma pessoa não operada tem espaço para consumir aproximadamente de 1 litro a 1,5 litro de alimentos, enquanto uma pessoa pós-bariátrica tem capacidade para apenas 25 ml a 200 ml (o equivalente a um copo americano).
Apesar de ser recomendada por muitos especialistas, como todo procedimento cirúrgico, apresenta riscos e benefícios, que devem ser avaliados de acordo com cada caso.
Existem alguns tipos diferentes de técnicas de cirurgia de redução de estômago. Listamos abaixo as principais.
É feita a partir da criação de uma pequena bolsa no estômago usando grampos cirúrgicos e a colocação de uma banda para limitar a quantidade de alimento que o estômago pode conter.
Vantagens: Menos invasiva, recuperação mais rápida.
Desvantagens: Pode necessitar de ajustes da banda e, em alguns casos, a remoção.
Consiste em criar uma pequena bolsa no estômago e conectá-la diretamente ao intestino delgado, desviando uma grande parte do estômago e do intestino.
Vantagens: Alta taxa de perda de peso, melhora significativa em condições associadas à obesidade, como diabetes tipo 2.
Desvantagens: Procedimento mais complexo, maior risco de complicações nutricionais.
É o tipo mais recomendado para pacientes que não têm um quadro tão grave e envolve a remoção de uma grande parte do estômago, deixando um tubo estreito ou "manga".
Vantagens: Menos complexa que o bypass, preserva a função do estômago.
Desvantagens: Irreversível, risco de deficiências nutricionais.
Descrição: Colocação de uma banda inflável ao redor da parte superior do estômago para criar uma pequena bolsa.
Vantagens: Menos invasiva, ajustável e reversível.
Desvantagens: Menor perda de peso comparada a outros métodos e uma maior necessidade de ajustes frequentes.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, esse tipo de cirurgia passou a ser adotado após estudos científicos demonstrarem que o procedimento era capaz de intervir positivamente no equilíbrio hormonal inicial de um paciente obeso.
Isso acaba influenciando na perda de peso e também no controle e até na cura de doenças endocrinológicas, como a diabetes, a hipercolesterolemia, a hiperuricemia, além da hipertensão.
Além disso, outros benefícios apontados são:
Assim como qualquer outro procedimento cirúrgico, o procedimento para a redução de estômago apresenta alguns riscos imediatos, além de algumas possíveis complicações a longo prazo.
Dentre os principais riscos durante o procedimento, podemos citar:
Já como complicações a longo prazo, muitos médicos notam deficiências nutricionais que exigem uma suplementação contínua de vitaminas e minerais.
Há também o risco do paciente desenvolver a Síndrome de Dumping, uma condição onde os alimentos passam rapidamente do estômago para o intestino delgado podendo causar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, cólicas abdominais, tontura e fraqueza, especialmente após a ingestão de alimentos ricos em açúcar.
Além disso, há o risco de obstrução intestinal devido a aderências ou hérnias internas, bem como a formação de úlceras no estômago ou intestino.
Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, também podem surgir devido às rápidas mudanças no estilo de vida do paciente.
A obesidade é uma doença muitas vezes desencadeada por uma compulsão alimentar ou pela disfunção da relação do paciente com a comida. Além disso, indivíduos obesos, frequentemente, apresentam problemas de autoestima, sem contar o risco aumentado de depressão e/ou ansiedade.
Por essas razões, o acompanhamento psicológico é obrigatório para autorização da cirurgia bariátrica. Além de todos os problemas emocionais envolvidos, a terapia vai ajudar o paciente a diferenciar fome de vontade de comer e controlar a compulsão alimentar.
Assim, ajuda a evitar que o paciente ganhe peso novamente e que se habitue ao novo corpo e estilo de vida mais saudável.
Leia também: Obesidade infantil: riscos para a saúde, causas e tratamentos
Como mencionamos anteriormente, é comum que a capacidade de absorção do estômago de pacientes bariátricos fique comprometida.
Por isso, é necessário fazer o uso de alguns suplementos de vitaminas e minerais por toda a vida, sendo que os principais são:
O paciente também precisa de acompanhamento e realizar exames clínicos e laboratoriais com certa frequência. Assim, o médico pode avaliar a existência de deficiências nutricionais específicas.
Para facilitar a rotina dos pacientes bariátricos, uma ótima opção são os suplementos manipulados, que permitem a combinação de diferentes nutrientes em uma única fórmula totalmente personalizada para suas necessidades.
De todo modo, o ideal é sempre conversar com o seu médico e nutricionista para que eles avaliem qual a melhor estratégia para o seu caso.
CRBM: 5749 - 2ª Região
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