
A bulimia é um transtorno alimentar comum principalmente entre adolescentes e jovens adultos.
Possível de ser tratada, cerca de 50% das pessoas com bulimia nervosa se recuperam completamente, enquanto 30% melhoram significativamente e 20% continuam a lutar com o transtorno ao longo da vida.
A bulimia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por episódios frequentes de ingestão excessiva de alimentos, seguidos por comportamentos compensatórios.
Pode ser considerada do tipo purgativo, quando o paciente induz o vômito ou usa laxantes, diuréticos ou enemas, ou do tipo não purgativo, quando o paciente pratica exercícios físicos em excesso ou longos períodos de jejum.
Os primeiros sintomas dessa condição podem ser de causa psicológica, quando o paciente experimenta insatisfação com seu próprio corpo, percebendo uma imagem distorcida no espelho e, como consequência disso, enfrenta dificuldades no controle da ingestão alimentar.
Outras causas como genética e fatores sociais também podem influenciar nesse comportamento.
Alguns dados sugerem que este distúrbio afeta aproximadamente 1 em cada 200 mulheres e 1 em cada 1000 homens, uma diferença que pode ser atribuída principalmente às pressões sociais e culturais relacionadas à imagem corporal que tendem a afetar mais as mulheres.
Por outro lado, há o fato de que homens são menos propensos a procurar ajuda para transtornos alimentares, o que pode levar a uma subnotificação de casos, além de um diagnóstico mais tardio.
Além do peso, os homens com bulimia nervosa muitas vezes têm uma preocupação excessiva com a musculatura e a definição corporal e, por este motivo, geralmente exageram na prática de exercícios físicos como comportamento compensatório, enquanto as mulheres costumam recorrer mais aos métodos purgativos.
Assim como nas mulheres, a bulimia nervosa em homens geralmente começa na adolescência ou no início da idade adulta.
Os sintomas da bulimia incluem episódios frequentes de compulsão alimentar, seguidos por uma preocupação excessiva com o controle do peso. Comportamentos como vômitos autoinduzidos, uso abusivo de medicamentos laxantes e preocupação constante com a imagem corporal também são comuns.
Mas, além desses sintomas característicos, os pacientes também podem ter que lidar com:
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A bulimia pode evoluir para condições mais sérias, que geralmente são resultado da purgação.
A autoindução de vômito, por exemplo, causa erosão do esmalte dentário, inflamação do esôfago e aumento das glândulas parótidas, enquanto o uso prolongado de xarope de ipeca pode resultar em cardiomiopatia.
Em casos mais raros, o estômago do paciente pode se romper ou o esôfago se rasgar durante episódios de compulsão ou purgação, o que pode, inclusive, levar a complicações fatais.
Ambas são transtornos alimentares, mas suas características diferem, pois enquanto a anorexia envolve a restrição alimentar severa e preocupação com a magreza extrema, a bulimia é marcada por episódios de compulsão seguidos por métodos compensatórios para evitar o ganho de peso.
O diagnóstico da bulimia requer uma avaliação clínica por parte de profissionais de saúde como psiquiatras, psicólogos e nutricionistas.
É importante que os profissionais façam a identificação de comportamentos alimentares anormais, a avaliação do estado nutricional e a consideração dos aspectos emocionais associados ao transtorno.
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, os critérios clínicos para o diagnóstico da bulimia nervosa são:
Além da avaliação psicológica, o paciente também pode precisar fazer exames de sangue para análise de eletrólitos, glicemia, proteínas totais e frações, função renal e hepática, além de exames de imagem como ultrassonografia abdominal e densitometria óssea.
As abordagens terapêuticas mais utilizadas para o tratamento da bulimia nervosa são a terapia cognitivo-comportamental e o uso de antidepressivos.
A TCC aborda tanto os comportamentos alimentares desordenados quanto os pensamentos e emoções que os sustentam, trabalhando com o paciente para identificar e desafiar pensamentos e crenças distorcidas sobre alimentação, peso e forma corporal.
Além de ajudar a melhorar a autoestima e a autoimagem do paciente, este tipo de terapia cria um plano para reconhecer sinais de recaída e implementa estratégias para evitá-las e também um padrão alimentar planejado para evitar os episódios de compulsão.
Já quando falamos dos medicamentos, a classe de medicação indicada como primeira linha no tratamento da bulimia nervosa são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), que devem ser adquiridos apenas com prescrição médica.
O ISRS mais comumente prescrito para esse transtorno é a fluoxetina, que ajuda a reduzir a frequência dos episódios de compulsão alimentar e dos comportamentos compensatórios, além de melhorar os sintomas de depressão e ansiedade que frequentemente acompanham a bulimia nervosa.
Em alguns casos, o medicamento pode ser manipulado para ajustar a dosagem para uma quantidade específica que seja eficaz e bem tolerada pelo paciente.
Além disso, através da manipulação, também é possível combinar a medicação a suplementos alimentares para corrigir as deficiências nutricionais de pacientes com bulimia em uma única cápsula.
De todo modo, o tratamento deve ser sempre personalizado para as necessidades de cada pessoa e conduzido sob a supervisão de profissionais de saúde qualificados.
CRF-SP: 96227
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