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Bulimia: como diagnosticar e tratar este transtorno alimentar

Atualizado 01/11/24
Criado 19/06/24
Tempo de leitura: 4 minutos
Jovem com os cotovelos encostados no vaso sanitário no banheiro. Conteúdo fala sobre bulimia, um transtorno alimentar caracterizado por por episódios frequentes de ingestão excessiva de alimentos, seguidos por comportamentos compensatórios.
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A bulimia é um transtorno alimentar comum principalmente entre adolescentes e jovens adultos. 

Possível de ser tratada, cerca de 50% das pessoas com bulimia nervosa se recuperam completamente, enquanto 30% melhoram significativamente e 20% continuam a lutar com o transtorno ao longo da vida.

O que é e o que causa bulimia?

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por episódios frequentes de ingestão excessiva de alimentos, seguidos por comportamentos compensatórios.

Pode ser considerada do tipo purgativo, quando o paciente induz o vômito ou usa laxantes, diuréticos ou enemas, ou do tipo não purgativo, quando o paciente pratica exercícios físicos em excesso ou longos períodos de jejum.

Os primeiros sintomas dessa condição podem ser de causa psicológica, quando o paciente experimenta insatisfação com seu próprio corpo, percebendo uma imagem distorcida no espelho e, como consequência disso, enfrenta dificuldades no controle da ingestão alimentar. 

Outras causas como genética e fatores sociais também podem influenciar nesse comportamento. 

Bulimia em mulheres x bulimia em homens

Alguns dados sugerem que este distúrbio afeta aproximadamente 1 em cada 200 mulheres e 1 em cada 1000 homens, uma diferença que pode ser atribuída principalmente às pressões sociais e culturais relacionadas à imagem corporal que tendem a afetar mais as mulheres.

Por outro lado, há o fato de que homens são menos propensos a procurar ajuda para transtornos alimentares, o que pode levar a uma subnotificação de casos, além de um diagnóstico mais tardio.

Além do peso, os homens com bulimia nervosa muitas vezes têm uma preocupação excessiva com a musculatura e a definição corporal e, por este motivo, geralmente exageram na prática de exercícios físicos como comportamento compensatório, enquanto as mulheres costumam recorrer mais aos métodos purgativos.

Assim como nas mulheres, a bulimia nervosa em homens geralmente começa na adolescência ou no início da idade adulta.

Quais são os sintomas da bulimia?

Os sintomas da bulimia incluem episódios frequentes de compulsão alimentar, seguidos por uma preocupação excessiva com o controle do peso. Comportamentos como vômitos autoinduzidos, uso abusivo de medicamentos laxantes e preocupação constante com a imagem corporal também são comuns. 

Mas, além desses sintomas característicos, os pacientes também podem ter que lidar com:

  • Variação de peso fora do padrão normal;
  • Problemas intestinais, como constipação;
  • Episódios de desmaios e fraqueza;
  • Deficiência de sais minerais e potássio;
  • Comprometimento dentário e mau hálito devido aos episódios frequentes de vômito;
  • Retenção de líquidos.

Leia também: Compulsão alimentar: saiba como identificar e tratar

Quais são os riscos da bulimia a longo prazo?

A bulimia pode evoluir para condições mais sérias, que geralmente são resultado da purgação.

A autoindução de vômito, por exemplo, causa erosão do esmalte dentário, inflamação do esôfago e aumento das glândulas parótidas, enquanto o uso prolongado de xarope de ipeca pode resultar em cardiomiopatia.

Em casos mais raros, o estômago do paciente pode se romper ou o esôfago se rasgar durante episódios de compulsão ou purgação, o que pode, inclusive, levar a complicações fatais.

Qual a diferença entre anorexia e bulimia?

Ambas são transtornos alimentares, mas suas características diferem, pois enquanto a anorexia envolve a restrição alimentar severa e preocupação com a magreza extrema, a bulimia é marcada por episódios de compulsão seguidos por métodos compensatórios para evitar o ganho de peso. 

Como funciona o diagnóstico da bulimia?

O diagnóstico da bulimia requer uma avaliação clínica por parte de profissionais de saúde como psiquiatras, psicólogos e nutricionistas. 

É importante que os profissionais façam a identificação de comportamentos alimentares anormais, a avaliação do estado nutricional e a consideração dos aspectos emocionais associados ao transtorno.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, os critérios clínicos para o diagnóstico da bulimia nervosa são:

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar (1 vez por semana durante 3 meses);
  • Comportamento compensatório (também 1 vez por semana durante 3 meses);
  • Preocupações com a forma e o peso do corpo.

Além da avaliação psicológica, o paciente também pode precisar fazer exames de sangue para análise de eletrólitos, glicemia, proteínas totais e frações, função renal e hepática, além de exames de imagem como ultrassonografia abdominal e densitometria óssea.

Como é feito o tratamento para bulimia?

As abordagens terapêuticas mais utilizadas para o tratamento da bulimia nervosa são a terapia cognitivo-comportamental e o uso de antidepressivos.

A TCC aborda tanto os comportamentos alimentares desordenados quanto os pensamentos e emoções que os sustentam, trabalhando com o paciente para identificar e desafiar pensamentos e crenças distorcidas sobre alimentação, peso e forma corporal.

Além de ajudar a melhorar a autoestima e a autoimagem do paciente, este tipo de terapia cria um plano para reconhecer sinais de recaída e implementa estratégias para evitá-las e também um padrão alimentar planejado para evitar os episódios de compulsão.

Já quando falamos dos medicamentos, a classe de medicação indicada como primeira linha no tratamento da bulimia nervosa são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), que devem ser adquiridos apenas com prescrição médica.

O ISRS mais comumente prescrito para esse transtorno é a fluoxetina, que ajuda a reduzir a frequência dos episódios de compulsão alimentar e dos comportamentos compensatórios, além de melhorar os sintomas de depressão e ansiedade que frequentemente acompanham a bulimia nervosa.

Em alguns casos, o medicamento pode ser manipulado para ajustar a dosagem para uma quantidade específica que seja eficaz e bem tolerada pelo paciente. 

Além disso, através da manipulação, também é possível combinar a medicação a suplementos alimentares para corrigir as deficiências nutricionais de pacientes com bulimia em uma única cápsula.

De todo modo, o tratamento deve ser sempre personalizado para as necessidades de cada pessoa e conduzido sob a supervisão de profissionais de saúde qualificados.

Média de classificação: 5/5
Por: Laryssa Magalhães
Farmacêutica

CRF-SP: 96227

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