
A solução de Lugol é composta por 5% de iodo elementar (ou metálico) e 10% de iodeto de potássio diluídos em água destilada. Foi desenvolvida em 1829, na França, pelo médico Guillaume Auguste Lugol, inicialmente com fins terapêuticos.
Atualmente, a solução é utilizada principalmente no preparo pré-operatório de pacientes com Doença de Graves, uma condição autoimune que causa hipertireoidismo. Nesses casos, o lugol atua reduzindo a liberação de hormônios tireoidianos e diminuindo o fluxo sanguíneo na glândula, o que facilita a cirurgia e reduz riscos de sangramento.
Embora seja uma formulação antiga e reconhecida em contextos específicos, o uso indiscriminado da solução tem sido incentivado em redes sociais como uma forma de suplementação de iodo, o que tem preocupado entidades médicas.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e o Departamento de Tireoide da SBEM alertam para os riscos do excesso de iodo, especialmente com produtos como o lugol 5%, que contém cerca de 2.500 µg por gota, ou seja, dez vezes mais do que o limite seguro de ingestão diária recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
O lugol é uma solução iodada com múltiplas aplicações. Pode ser utilizada para:
O iodo presente na solução é essencial para a produção dos hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). No contexto cirúrgico, o lugol ajuda a reduzir temporariamente essa produção e diminui a vascularização da tireoide.
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Não. O uso do lugol como suplemento de iodo não é recomendado por entidades médicas. Segundo o Departamento de Tireoide da SBEM, o excesso de iodo pode desencadear disfunções graves na tireoide, como hipotireoidismo (efeito Wolff-Chaikoff), hipertireoidismo (efeito Jod-Basedow) e até favorecer o desenvolvimento de doenças autoimunes.
O consumo diário de iodo recomendado pela OMS varia entre 100 a 150 µg para adultos e até 250 µg para gestantes e uma única gota do lugol 5% fornece 2.500 µg, o equivalente a mais de dez vezes o máximo recomendado por dia.
Portanto, o lugol não deve ser utilizado com o objetivo de "repor iodo", nem como "terapia alternativa", sob risco de prejudicar o funcionamento da glândula tireoide.
O uso desta e qualquer outra substância deve ser discutido com um profissional de saúde.
Não. Não há evidências científicas que justifiquem o uso de lugol para emagrecimento. A perda de peso observada em doenças da tireoide, como o hipertireoidismo, está associada a um estado patológico e não representa um mecanismo saudável de redução de peso.
Além disso, induzir alterações hormonais na tireoide com o uso inadequado de iodo pode causar efeitos graves à saúde. O emagrecimento saudável deve sempre estar associado à alimentação equilibrada, prática de exercícios e, quando necessário, acompanhamento profissional.
Sim. A solução de Lugol pode ser manipulada em farmácias de manipulação, desde que haja prescrição médica.
A manipulação de medicamentos permite um controle preciso da formulação e garante que o produto seja preparado em ambiente seguro, seguindo boas práticas de fabricação. No entanto, reforçamos que a prescrição deve ser feita exclusivamente por profissionais habilitados, e seu uso deve respeitar indicações clínicas específicas.
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Sim. Embora algumas versões do Lugol estejam disponíveis para venda em farmácias e lojas de suplementos, a recomendação da SBEM é que a aquisição só ocorra mediante prescrição médica. Isso é fundamental para evitar o uso indevido da solução em concentrações perigosas.
O Lugol 5% não deve ser administrado sem orientação médica. Quando necessário, como no caso do preparo pré-operatório da Doença de Graves, o uso é restrito a períodos curtos (geralmente 10 a 15 dias antes da cirurgia), sempre associado a outros medicamentos, como antitireoidianos.
A ingestão crônica ou fora dessas indicações pode provocar bloqueios no funcionamento da glândula tireoide, desequilíbrios hormonais e complicações como bócio e disfunções autoimunes.
Os principais efeitos adversos do uso inadequado da solução de Lugol são:
O uso é contraindicado em pessoas com doenças autoimunes da tireoide, hipertireoidismo não tratado, alergia ao iodo, gestantes e lactantes sem acompanhamento médico.
Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Paulista desaconselha o uso de lugol sem orientação específica, ressaltando que “quando há a ingestão excessiva de iodo, ocorre um bloqueio da tireoide e seus mecanismos reguladores, e a produção dos hormônios tireoidianos é interrompida”. Portanto, pode trazer sérios riscos à saúde.
CRBM: 5749 - 2ª Região
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